Na segunda-feira fui a uma cartomante. Me disseram para eu ir. Fiquei um pouco apreensivo, mas acabei gostando. Ela não me disse nada além do que eu já sei. Mas ela me disse coisas que, só me conhecendo muito, conhecendo a minha cabeça, o meu coração e a minha alma é que é possível saber. Então eu levei fé. E ela me disse que essa depressão está associada a duas coisas: um desequilíbrio energético e uma ligação muito forte que eu tenho com a minha mãe, que já morreu. E me disse coisas bacanas como: ano que vem é será meu ano e em breve surgirá um amor que vai "pirar meu cabeção".
Então eu saí da casa dessa cartomante com o cabeção pirado, nas nuvens... Um amor! Um novo amor. Porque eu nunca namorei. Sério, estou com 30 anos e nunca namorei. Tenho um vida sexual praticamente inativa. Preciso mesmo me abrir pro mundo, deixar a energia sexual fluir. Essa minha assexualidade, ou quase assexualidade pode se explicar por vários fatores. Mas não tem uma explicação exata.
Desde muito novo, sempre achei meu pênis pequeno. Sei que isso é motivo de preocupação de muitos homens. Mas o problema é que essa preocupação tornou-se um medo patológico. E eu cresci assim, achando que meu pênis é pequeno. Me sentindo menos potente com relação aos outro meninos. Menos viril. Menos forte. Menos homem. Tudo por causa do meu pênis, tadinho. Aí, tá vendo, já comeceu a trata-lo no diminutivo. Assim fica difícil, né? Bom, mas voltando ao assunto principal, essa precupação com o tamanho do meu pênis tornou-se um pânico de transar. Eu até posso transar. Posso fazer sexo oral, anal, mas deixar o parceiro ver meu pênis não! Parceiro sim, sou gay pra quem pegou o "blog" andando e quer sentar na janelinha. E isso tornou-se um agravante. Eu pensei várias vezes, nossa, se eu fosse hétero seria mais fácil. Porque mulher não se preocupa tanto com o tamanho do dito cujo quanto os gays. Sim, são clichês, mas eu passei a acreditar nisso como uma regra para todos! Talvez para tentar justificar esse pânico para mim mesmo. Aliás, se alguém souber o nome de pânico de transar, me diga.
E fui crescendo assim, com medo. E esse medo me atrapalhou muito. Atrapalhou o meu desenvolvimento. Sim, porque eu precisava frequentar lugares gays, conhecer gays e começar a minha vida sexual de maneira saudável. Só que eu associava boate a homens sedentos por sexo e sexo ao meu "micro" pênis. É claro, a boate não poderia ser um lugar interessante. Então minha vida sexual foi sendo deixada de lado. Até porque eu não encontrava solução para essa questão do pênis.
Eu procurei soluções: fui a mais de um urologista. Passei pela situação constrangedora de ter o pênis medido com uma régua e, então o urologista rindo, dizer que meu pênis tem o tamanho normal, que não se faz cirurgia para aumento de pênis. Que só no sul tem esse tipo de cirurgia, mas que ele não aconselha. Enfim, acho que o problema está na minha cabeça.
E como a gente resolve esse medo? Enfrentando, certo? Certo! Nossa, então é muito fácil! Basta eu encontrar um cara que esteja com vontade de transar comigo e pronto. Finjo que tô sem medo e encaro. Na teoria as coisas são tão fáceis... Mas o fato é que eu não troco de roupa na frente de ninguém. Eu não tomo banho na frente de ninguém. Ninguém me vê nu. Então fica difícil ir muito além da masturbação. E sempre que tenho relação sexual (nunca completa, com o outro vendo meu pênis) é com pessoas que eu sei que não acrescentam nada a mim. Talvez como uma punição por esse pânico. Talvez por carência.
Enfrentar causa medo, é difícil, mas fugir é sempre muito pior. Resolvi abordar essa questão da falta de sexo aqui, porque ela está ligada a minha depressão e, também, porque eu tenho certeza que não estou sozinho nessa história. Muita gente é mal resolvida na área sexual. Acho um bom passo compartilhar isso com vocês. Sim, já estou falando com o meu psicanalista sobre isso. Então espero que até o surgimento desse amor que vai "pirar meu cabeção", eu esteja mais desencanado com relação a essa questão.
Convivo com transtornos mentais há mais de 15 anos. Aqui compartilho com você minhas angústias, expectativas, vitórias e superações. Se você tem alguma doença mental ou emocional, se você sente dificuldades no seu dia a dia, fique comigo! Vamos trocar ideias para que nossas vidas sejam mais tranquilas e melhores a cada dia. Aprender a vencer os obstáculos, quando der, e a conviver com eles, se for o caso. E se você não tem nada, ou seja, pensa que é normal, seja bem-vindo(a) também!
Um comentário:
Vejo que você ja sabe e tem consciência que toda essa situação foi criada na SUA cabeça. Não vivo este problema, más sinto que está no caminho certo. Permita-se o envolvimento real, precisa viver a situação e não ficar "imaginando" o que poderá acontecer.
Com certeza, vai descobrir o quanto se permitiu a todo esse sofrimento. Não existe nada que um bom diálogo não possa resolver.
Uma boa semana e FELICIDADE sempre!
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