segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Duas conquistas importantes

Semana passada eu fiz duas coisas que me deixaram muito feliz: consegui sair de casa para eventos sociais.

Na sexta-feira fui ao aniversário da minha cunhada. Não nutria muita simpatia por ela e acho que era recíproco. Mas pensei: devo ir, pois o meu irmão ficará feliz e será uma oportunidade de ver meus sobrinhos. Chegando lá me sentei e fiquei contemplando as pessoas. Estava com um estado de espírito diferente. Muito introvertido. Bastante tímido. Digo estado de espírito porque às vezes eu estou mais fluido, conversando melhor, então não sei exatamente o porquê, mas estava quieto, no meu canto. No entanto havia saído de casa. Estava na rua. Em um aniversário. Não me sinto confortável em quase nenhum aniversário. Para comemorar algum aniversário meu faço um esforço hercúleo e isso se transfere para os meus amigos. Trauma? Talvez... Depois eu posto com mais calma sobre isso. Não quero perder o foco.

O fato é que durante o aniversário da minha cunhada, um dos meus irmãos, o marido dela, notou meu desconforto e me ensinou uma técnica que ele usa para conversar com as pessoas e a conversa fluir: repetir a última palavra que a pessoa disse. Por exemplo: “Hoje fui à loja que Fulano me indicou e comprei um tênis.” “Um tênis...” Ele explicou que agindo assim damos espaço para o interlocutor falar mais dele. No fundo o que as pessoas mais querem é falar sobre elas mesmas. Mais ou menos o que o meu terapeuta me disse outro dia: “No fundo o que as pessoas mais querem é serem aceitas”. Mesmo assim não consegui usar a técnica com os outros convidados. Estava literalmente travado. Não conseguia dar retorno às conversas.

Apesar de um momento especialmente constrangedor, quando meu irmão me deixou sozinho com um rapaz que começou a me questionar a respeito de alguns assuntos, o tempo passou, a festa acabou e eu marquei presença. Foi um exercício árduo. Porque estava muito preocupado com o que as pessoas estavam pensando ao meu respeito. Olha o meu ego falando mais alto. Não consegui enxergar as pessoas como minhas irmãs. Mas conseguir ir. Isso foi uma vitória.

No dia seguinte, no sábado, fui convidado para ir ao Maracanã, assistir à final da seleção brasileira. Estava em um ambiente menos “hostil”, porque não exigia que eu mostrasse o meu lado intelectual. A única preocupação foi com comentário homofóbico, que não aconteceu ou com alguma briga, que quase aconteceu ao meu lado, mas não ocorreu.

Durante toda a partida me mantive conectado a Deus e no tempo presente. Houve apenas um momento estranho, quando senti alguém dando peteleco na minha orelha esquerda. Virei par trás depois de uns trinta segundos e vi uma criança. Ela fez um gesto dizendo “não fui eu”, virei imediatamente para frente e nada mais aconteceu. Quando a seleção fez o último gol e consagrou-se campeã, um casal de amigos da minha irmã, que estava ao meu lado, me abraçou e pulou, consegui dar três pulinhos junto com o resto do Maracanã todo. Ao longo da partida fiquei muito contido, sem gritar, sem algazarra, para a ansiedade não aumentar. Depois da partida fui contagiado pela magia do momento e até cantei algumas musiquinhas. Coloquei a mão no bolso para pegar um dos meus dois estabilizadores do humor e me dei conta de que vaia esquecido em casa. Então a minha ansiedade aumentou. Não falei nada a ninguém. Minha irmã me perguntou se algo estava acontecendo. Então expliquei a ela.


Depois da partida fui convidado para ir a uma festa. Fiquei horas sem o tal estabilizador do humor. A ansiedade diminuiu. Consegui interagir na festa. Enfim, deu tudo certo.

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