Semana passada eu fiz duas coisas que me deixaram
muito feliz: consegui sair de casa para eventos sociais.
Na sexta-feira fui ao aniversário da minha cunhada.
Não nutria muita simpatia por ela e acho que era recíproco. Mas pensei: devo
ir, pois o meu irmão ficará feliz e será uma oportunidade de ver meus
sobrinhos. Chegando lá me sentei e fiquei contemplando as pessoas. Estava com
um estado de espírito diferente. Muito introvertido. Bastante tímido. Digo
estado de espírito porque às vezes eu estou mais fluido, conversando melhor,
então não sei exatamente o porquê, mas estava quieto, no meu canto. No entanto
havia saído de casa. Estava na rua. Em um aniversário. Não me sinto confortável
em quase nenhum aniversário. Para comemorar algum aniversário meu faço um
esforço hercúleo e isso se transfere para os meus amigos. Trauma? Talvez...
Depois eu posto com mais calma sobre isso. Não quero perder o foco.
O fato é que durante o aniversário da minha
cunhada, um dos meus irmãos, o marido dela, notou meu desconforto e me ensinou
uma técnica que ele usa para conversar com as pessoas e a conversa fluir:
repetir a última palavra que a pessoa disse. Por exemplo: “Hoje fui à loja que
Fulano me indicou e comprei um tênis.” “Um tênis...” Ele explicou que agindo
assim damos espaço para o interlocutor falar mais dele. No fundo o que as
pessoas mais querem é falar sobre elas mesmas. Mais ou menos o que o meu
terapeuta me disse outro dia: “No fundo o que as pessoas mais querem é serem
aceitas”. Mesmo assim não consegui usar a técnica com os outros convidados.
Estava literalmente travado. Não conseguia dar retorno às conversas.
Apesar de um momento especialmente constrangedor,
quando meu irmão me deixou sozinho com um rapaz que começou a me questionar a
respeito de alguns assuntos, o tempo passou, a festa acabou e eu marquei
presença. Foi um exercício árduo. Porque estava muito preocupado com o que as
pessoas estavam pensando ao meu respeito. Olha o meu ego falando mais alto. Não
consegui enxergar as pessoas como minhas irmãs. Mas conseguir ir. Isso foi uma
vitória.
No dia seguinte, no sábado, fui convidado para ir
ao Maracanã, assistir à final da seleção brasileira. Estava em um ambiente
menos “hostil”, porque não exigia que eu mostrasse o meu lado intelectual. A
única preocupação foi com comentário homofóbico, que não aconteceu ou com
alguma briga, que quase aconteceu ao meu lado, mas não ocorreu.
Durante toda a partida me mantive conectado a Deus
e no tempo presente. Houve apenas um momento estranho, quando senti alguém
dando peteleco na minha orelha esquerda. Virei par trás depois de uns trinta
segundos e vi uma criança. Ela fez um gesto dizendo “não fui eu”, virei
imediatamente para frente e nada mais aconteceu. Quando a seleção fez o último
gol e consagrou-se campeã, um casal de amigos da minha irmã, que estava ao meu
lado, me abraçou e pulou, consegui dar três pulinhos junto com o resto do
Maracanã todo. Ao longo da partida fiquei muito contido, sem gritar, sem
algazarra, para a ansiedade não aumentar. Depois da partida fui contagiado pela
magia do momento e até cantei algumas musiquinhas. Coloquei a mão no bolso para
pegar um dos meus dois estabilizadores do humor e me dei conta de que vaia
esquecido em casa. Então a minha ansiedade aumentou. Não falei nada a ninguém.
Minha irmã me perguntou se algo estava acontecendo. Então expliquei a ela.
Depois da partida fui convidado para ir a uma
festa. Fiquei horas sem o tal estabilizador do humor. A ansiedade diminuiu.
Consegui interagir na festa. Enfim, deu tudo certo.
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