sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A vida não para - publicado em 28/12/2009

Impressionante como a oscilação de humor está sendo constante em mim. Nunca havia percebido isso antes. Agora, sozinho há quase 10 dias fico pasmo de ver. Hoje, por exemplo, não estou legal. Passei a manhã quase toda dormindo, trancado no quarto do SPA. A enfermeira, que queria me perguntar algo, entrou em meu quarto, pois eu havia deixado o telefone fora do gancho. Estou sentindo um tédio enorme. Estava me sentindo muito cansado. Agora, somente um tédio. Não sei explicar.

Tenho rezado, tenho feito imagens mentais, ontem, fiz terapia ayurvédica, um dia até mergulhei na piscina, na frente de todos. Logo eu, que nunca fico sem camisa na frente das pessoas. Tenho agido com mais naturalidade. Conversado com Deus? Constantemente. Peço a Ele para que faça com que eu me abra para a vida. Mas o fato é que tenho depressão e fica impossível viver como se não tivesse. Não, eu não me enxergo somente como um depressivo. Longe de mim cair nessa armadilha. Mas essa força estranha, negativa, me impulsiona para baixo, me derruba, me detona. Estou ingerindo menos de 700 calorias e, só para você ter uma ideia, tiveram dois dias em que eu não saí do quarto para lanchar. O sono, o cansaço eram maiores. Não sei se é medo. Antes de vir para cá achava que tudo se resumisse ao medo. Mas acho mesmo que é algo químico. Que independe de mim.
Agora vou fazer um esforço e caminhar na esteira por uma hora. Depois, marquei de cortar o meu cabelo e uma drenagam à noite. Faltam vinte e poucos dias para eu ir embora daqui. Às vezes, me bate uma vontade enorme de me mandar. Mas aí eu penso: isso será um atestado de fraqueza, de covardia. E eu não quero mais estar na posição de vítima das circunstâncias. Também, se eu voltar, não terei absolutamente nada para fazer. Os mesmos assuntos, tudo igual e certamente voltarei aquele círculo vicioso de antes.

E tenho sonhos. Sonhos de, quando eu sair daqui, voltar a correr atrás do que eu gosto. Eu adoro aula de música, tenho vontade de voltar a fazer aula de canto. É o que me faz bem. Meu avô cismou que quer montar uma empresa e quer que eu seja sócio dele. AInda não estou pronto para isso. Na volta, terei que deixar bem claro isso. Metas para 2010: terminar a faculdade, continuar a fazer exercícios físicos (com personal, pois ajuda) e fazer aula de canto. Além disso, continuar a tratar da minha mente E só. É o que eu consigo. Se conseguir isso, será um lucro enorme. O que vier, além disso, será ótimo. Mas é nisso que eu penso. Melhor do que no ano passado, em que passei sozinho e não tinha meta nenhuma.
É complicado. É bem difícil viver com depressão. Mas a vida não para. Então, dentro do possível, vou em frente.

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